Arquivo | abril, 2011

Minha Primeira Carta ao Leitor

27 abr

Peguei pra ler a Marie Claire hoje, que chegou em casa faz um tempinho mas ainda não tinha tido tempo de ler. Sempre pensei que só assinaria uma revista tipo a Marie Claire a partir dos 30, afinal  é uma revista para mulheres sofisticadas e inteligentes, eu disse mulheres. Não que eu não me considere uma, mas enquanto meu pai pagar minha fatura do cartão vou deixar me chamar assim só em momentos de auto-prestígio. Mas por que então assino essa revista aos 22? Haa porque assino Criativa e a Editora globo (uma graninha pelo merchân por favor) tem umas promoções, peguei Marie Claire de tabela, mas gosto também.

Apesar de parecer, não é sobre a Marie Claire que eu quero falar, mesmo sendo a quarta vez que cito o nome da revista (rs). Sabe o que mais me empolga quando abro uma revista? Não é a matéria de capa, mesmo porque são sempre perfis de pessoas boring, que leio mais para ter exemplos de perfis e tirar umas notas boas na faculdade de jornalismo do que por interesse ao perfilado, seria como ler a biografia da Geisa Arruda (sim, existe), ou do vivido Justin bieber, mas não tão empolgante quanto a de Bruna Surfistinha. Acho que sou uma das raras que gosta de ler a Carta ao Editor. Talvez por que fique imaginando meu nome na assinatura de uma dessas cartas daqui a alguns anos. Natália Ambrósio, diretora de redação!

Nessa carta, a diretora de redação Mônica Serino citou um trecho do editorial da primeira revista escrito a 20 anos, já que a revista comemora no mês de abril seu vigésimo aniversário, por Regina Lemos, então diretora de redação, que me fez parar pra pensar em algumas coisas.

“Gostamos de Marie Claire porque ela não dita regras nem dá conselhos e só acredita em receitas na cozinha; na vida, cada pessoa há de elaborar a sua própria. É por isso que, ao fazer uma matéria de comportamento, Marie Claire não produz um tratado psicológico, simplesmente ouve as mulheres. Muitas. Até selecionar as melhores histórias, aquelas com que vamos nos identificar, indignar, chorar, aprender… não é assim que mulher se entende, trocando experiências?”

Quando falou em receitas, imediatamente me veio em mente algumas manchetes de revistas teens do tipo, “Como ser popular em 10 passos” e também aqueles livros que lia aos 12 anos, “Coisas que toda garota deve saber” que eram como um manual de etiqueta descolado para garotinhas entrando na puberdade (bizarrooo, ensinava até como aparar os pelos hahaha). Se for pensar bem, isso não é só coisa teen. Analisando a maioria dos fashion blogs ou blogs voltados para públicos femininos que estão bombando hoje (isso inclui o meu, tirando a parte do bombando), não enchergamos nada muito além de receitas, pra ser fashion, pra viagens, pra tudo que se julga “importante”. Ai me pergunto, quando nós blogueiras deixamos de fazer o que era nosso propósito quando começamos a mexer com isso; falar pelos cotovelos descompromissadamente, dar nossa opinião, contar nossas histórias e escutar pitaco de desconhecidos sobre ela? Ser blogueira hoje é uma profissão, e sim, deve ser muito bom viver disso (um dia o farei), mas que a gente tente não perder a essência, o encanto, porque se deixar de ter isso, ai sim vai realmente virar trabalho e a diversão vai acabar. Hoje parei pra pensar nisso, e não pude deixar de dividir com vocês. Se rolarem alguns posts bacanas e mais embasados, é graças a esse insite que tive essa madrugada de feriado. Deve valer de alguma coisa.

Texto: Natália Ambrósio

Colagem: Bruna Brasileiro

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